30/04/2013

Sex drugs and rock and roll




No sex

No drugs

No rock

Definitely no Roll

Literalmente, e depois da última visita ao meu doutor…


Cada vez aprecio mais os nossos diálogos… lindos…há assim como que uma tensão que paira no ar, tipo guerra fria…



- ...  Posso então retomar uma rotina Normal…

- Sim lá para Agosto.

(abre-se o chão e cai-me tudo)

- Mas o Dr Fixe (o meu outro médico) disse que eu podia…

- Mas o seu médico sou eu.

- pois…

- E já posso ir ao ginásio?! (e a pressão aumenta… quase, quase a disparar)

- Não quer também que lhe passe um cheque em Branco… Pois não?!

- Posso argumentar?!

-Não. Se as próximas análises estiverem bem, então pode começar a dar umas caminhadas 20 minutos no máximo…

- Por falar em caminhadas (com o meu ar mais inocente e cândido), na quarta-feira, saí de casa, fui até a ao Parque da Cidade, dei uma volta pro lá e voltei,  tudo isto a pé e não me cansei... Remato com sorriso lindo de orelha a orelha

- (As sobrancelhas arqueiam e a pressão dispara…)



A verdade é que gosto mt mt do meu doutor, ele é excelente, mas detesto ser contrariada, é mais forte que eu, logo sai asneira… :+(

16/04/2013

A amizade entre uma miúda de 4 anos e o seu gato.




“Tu tens de fotografar aquilo que amas”


...e ponto tá tudo dito!!! Delicioso este artigo da Sábado, vale a pena espreitar, é só fazer clic

;+) 

13/04/2013

As mãos



Que tristeza tão inútil essas mãos
que nem sequer são flores
que se dêem:
abertas são apenas abandono,
fechadas são pálpebras imensas
carregadas de sono.



by Eugénio de Andrade

10/04/2013

À margem da Alegria





[...]

Esperar por ti não é esperar por ti
esperar por ti é ter talvez esperança
ou é esperar com minudenciosa paciência
e desenhar teu rosto em cada rosto que vejo surgir
na minha alvoroçada vizinhança dos teus passos
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe, se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo de que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
ver-te é sentir pousar mais que um olhar
uma mão muito calma sobre a minha vida
ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo
que sempre existirei que não há mais ninguém
ver o teu rosto é mesmo mais do que nascer
empreender viagens começadas nesse rosto
donde podem sair inúmeros navios
ver o teu rosto é como tudo começar
corrida a minudenciosa prega do silêncio
silêncio alto como um cerro inesperado como um curro
aéreo como um cirro denso como um cerro
prosaico às vezes como a mecânica de um carro
Vejo-te e povoas só de folhas que depois desfolhas
os rasos descampados que te cercam por todos os lados
Caminho ao teu encontro
a juventude é como uma oportunidade
começa a ser outono a tarde é território para a luz
tem certas listas como um fato cinzento
toco-te apenas para ver se estás aí
um país se arredonda à tua volta
sinto todas as coisas no lugar
Quando te vais embora fico de repente ao abandono
sem ao menos a protecção de uns olhos de animal
da copa arredondada de uma árvore
Vais-te embora e deixa de haver árvores no mundo
e não tenho palavras e não tenho voz
não conheço ninguém nenhum ouvido
que se possa ajustar à forma do meu grito
E desço da liteira como quem desce da vida
como que me separo de mim mesmo
sinto-me inexplicável e na rua
para sempre irremediavelmente na rua


by Ruy Belo

08/04/2013

Por um rosto chego ao teu rosto




Por um rosto chego ao teu rosto,
noutro corpo sei o teu corpo.
Num autocarro, num café me pergunto
porque não falam o que vai
no seu silêncio aqueles cujo olhar
me fala da solidão.
Esqueço-me de mim. Tão quieto
pensando na sua pouca coragem, a minha
sempre adiada. Por um rosto
chegaria o teu rosto, mesmo de um convite
e desenha no ar o hábito
por que andou antes de saíres
do espaço à sua volta. Estás longe,
só assim podes pedir algumas horas
aos meus dias. Sem fixar a voz
a tua voz é uma corda, a minha
um fio a partir-se.

By Helder Moura Pereira
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- Ah, que me metam entre cobertores, 
E não me façam mais nada... 
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada, 
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

By Mário de Sá-Carneiro